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Bolinhos de Chuva
Postado por Cotovelares às 15h43

No período do regime militar aqui no Brasil, jornais como o Estadão e o Jornal da Tarde publicavam em suas páginas receitas de bolo como forma de deixar claro aos leitores que estavam sendo censurados. Pois bem, colocamos no ar logo abaixo uma receita de bolinho de chuva. Isso não quer dizer que fomos amordaçados, faz parte da linha editorial cotovelar. É romântico comer bolinhos de chuva. Eles carregam lembranças da casa da avó e são dos melhores quitutes para combinar com café. Hoje em dia, quase não se vê nas mesas, é um processo velado de extinção. Aí vai nossa humilde tentativa de resgatar esse patrimônio histórico da culinária nacional.

Ingredientes:

  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 xícara de amido de milho
  • 1/2 xícara de leite
  • 2 ovos
  • 4 colheres de açúcar
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Modo de preparo:

  • Bata o açúcar com os ovos e misture os demais ingredientes.
  • Em uma panela, esquente o óleo e frite as colheradas da massa em fogo baixo.
  • Depois de frito, polvilhe os bolinhos em açúcar e canela.

Fonte: A receita é de Antonio Klouck, retirada do site "Tudo Gostoso".

Saldo da Mostra II
Postado por Cotovelares às 18h47

Por Diego Iwata Lima

 

Eu adoro a Mostra e acho muito bacana esse esquema de darmos notas aos filmes – especialmente agora que os nacionais são premiados com base nos votos do público. Ao todo, contando a sessão especial de abertura, assisti a 34 longas e um curta. E apesar de ter assistido a mais filmes que o Fujita abaixo, não posso dizer que tenha visto ‘melhor’. No esquema  criado por ele, seguem meus comentários. O bacana é que como sou tarado por filmes Iranianos, nossas seleções estão bem difentes, exceto quando são iguais – a mesma regra vale para mim e o Brad Pitt, ou Rodrigo Santoro, no que diz respeito à aparência física. Vou tentar pegar uns dois na repescagem. Minha meta era 40, devo chegar a uns 37, 38...

 

Fora de Competição:

  • A Bela da Tarde (E o pior é que me entregaram a cédula. Dar nota para o Buñuel? Que palhaçada é essa? E como era linda a Catherine Deneuve...)

 

Nota 5

  • The Wind that Shakes the Barley (Ken Loach explica a Irlanda. O melhor da Mostra)
  • Babel (Iñarritu sobe um tom em relação a 21 Gramas, mas não chega a Amores Perros)
  • Hamaca Paraguaya (Primeiro longa paraguaio em 30 anos. Ecos de um país então agonizante)
  • Transe (Já vi em lista de piores filmes. Loucura de roteiro, sensação de embriaguez, um filme cru)
  • Belle Toujours – Sempre Bela (Manoel de Oliveira, estranhamente curto, revisitando Buñuel. Uma homenagem deliciosa)
  • Time (Kim Ki Duk em boa forma. Bela fotografia)
  • Nosso Amor do Passado (Genial exercício de montagem. Diálogos irresistíveis e Aaron Eckhart e Helena Bonham Carter dando show)
  • O Ano em que meus pais saíram de férias (Todos juntos, vamos! Delicadamente lindo)
  • A Estrada (“Eu que te amava tanto...”, o melhor chinês da Mostra)
  • Fora do Jogo (Um filme iraniano sobre futebol. Você não leu errado. Jafar Panahi é o mais inventivo dos iranianos na atualidade)
  • Infância Roubada (Sul-africano que levou o Oscar. Parece Cidade de Deus, mas é 0,00000001 melhor. Ou não.)
  • Caminho Para Guntánamo (Winterbottom é o cara. E a cada dia odeio mais o Bush)

 

Saldo da Mostra II - Continuação
Postado por Cotovelares às 18h44

Por Diego Iwata Lima

 

Nota 4

  • O Grito das Formigas (Alterna excelentes e maus momentos. Boa Fotografia, belas locações, iraniano) 
  • Dancefloor Caballeros (Documentário sobre a primeira turnê de música eletrônica em Cuba, dirigido por um alemão. Era só para preencher um buraco. Surpreendeu.)
  • Half Moon (Bahman Gobadi jogando para o gasto. Dava para enxugar um pouco de gordura)
  • Ilha de Ferro (Petroleiro abandonado em alto-mar vira cortiço no Irã. Premissa Genial)
  • Só Deus Sabe (Alice Braga. Alice Braga. Alice Braga. E Diego Luna)
  • Candy (Para quem já leu Christiane F., nada demais quanto ao tema. Belíssima atuação de Heath Ledger, bom roteiro e Geoffrey Rush)
  • Sonhos de Peixe (Um russo dirige no Interior do Rio Grande do Norte um filme sobre pescadores. Bom, mas um pouco arrastado. Bom final)
  • O Céu de Suely (Hermila em excelente atuação. E “coração, pára de se apaixonar, por alguém que...)
  • Mary (Bom, mas com tintas muito pesadas. Tava só vendo a hora em que ia entrar ‘Carmina Burana’)
  • A Grande Final (Povos longínquos em regiões inóspitas fazendo mil malabarismos para ver a final da Copa de 2002. E o melhor é que o Brasil ganha)
  • A Comédia do Poder (Claude Chabrol dirige Isabelle Huppert. E eles nem fazem muita força)
  • Os EUA vs. John Lennon (Power to The People! Tema difícil, pois todos as imagens já foram vistas. Contudo, excelente pesquisa e grandes entrevistas)

 

Nota 3

  • Pura Sangre (Filme argentino fácil e com gotas de clichê. Feito para fazer chorar. Conseguiu)
  • It’s Winter (Um iraniano menor. Da “raça”, só pegou o ritmo)

 

Nota 2

  • A Promessa (Lindo. Mas e o conteúdo? Chinês.)
  • Las Vueltas del Citrillo (Modorrento. E fez a festa no “Oscar” mexicano)
  • El Mágico (Documentário sobre traficante colombiano. Tema interessantíssimo, boa pesquisa, técnica zero. Se fosse TCC, bombava)

 

Nota 1

  • Parque (Essa turminha não está de brincadeira, e vai aprontar altas confusões. Hoje, na Sessão Da Tarde. Era melhor que o Canadá tivesse mesmo bombardeado os Baldwin)
  • Still Life (Pessoal, o nome do evento é Mostra de Cinema. De Cinema! Chinês.)
  • David & Layla (O diretor estava na sala. Falou tão emocionado sobre o próprio filme antes da sessão que não tive coragem de ir embora. Constrangedor)

 

 

Saldo da Mostra
Postado por Cotovelares às 21h31

Por Fábio Fujita

A Mostra acabou. Quer dizer, ainda há a tal repescagem, mas já não conta muito. Hoje fiz uma escolha infeliz: troquei um filme que lamentei ter perdido na programação normal, Fica Comigo (um filme de Cingapura, protagonizado por uma surda-muda que interpreta uma versão de si mesma), para ver o Palmeiras tomar aquela piaba do Paraná Clube. Temos time, não temos força. Não sei se fico feliz pela primeira constatação, ou triste pela segunda. Voltemos aos filmes.

Quem freqüenta a Mostra sabe que cada filme assistido precisa receber devidamente seu voto no final da sessão, numa escala de 1 a 5. Atribuí a nota máxima para cinco dos 30 filmes que tive a chance de ver. Trinta é um número abaixo do que pretendia, mas de acordo com a minha média dos últimos anos. Quem não gosta de cinema e ainda assim freqüenta esse blog deve achar tudo isso um saco. Mas quem gosta de cinema não freqüenta este blog porque está no cinema, logo, há uma certa esquizofrenia em imaginar a relação deste blogueiro com seu potencial leitor. Então a gente simplesmente atribui as notas e continua falando dos filmes, porque falar de filmes é muito legal, ainda que ninguém esteja interessado.

Nota 5
Babel (um filme que já nasce clássico)
The Wind That Shakes The Barley (ou ficar a pátria livre ou morrer pela Irlanda)
O Violino (porque a vida é maniqueísta)
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (como disseram no Rio, "tão bom que parece argentino")
Big River (o road movie por definição)

Nota 4
Um Mundo Maravilhoso (se Michael Moore fosse ficcionista e cucaracha, ele teria feito esse aqui)
Shortbus (vendido pelo desfile de pintos sendo chupados, o filme mascara ótima construção de personagens)
Minha Vida Sem Minhas Mães (belíssimo trabalho da atriz que faz a mãe sueca do garotinho finlandês)
Serras da Desordem (desconcertante)
Offscreen (como dito à Alessandra, "loucos e geniais, esses nórdicos")
Hamaca Paraguaya (a perda do sentido da vida por causa da guerra)
Bye Bye Berlusconi (chupa, Berlusconi!)
Sonhos com Shangai (a China de hoje simbolizada na relação pai-filha)
Dias de Glória (para suprir a carência de bons filmes de guerra contemporâneos)
O Céu de Suely (João Miguel: esse é o cara)
A Última Noite ("Robert Altman" justifica tudo)
Sonhos de Peixe (desfecho felliniano)

Nota 3
Princesas (boa história sobre prostitutas que se unem para sobreviver)
Amu (interessante investigação pessoal sobre um passado mal-esclarecido)
Síndromes e um Século (supervalorizado)
Still Life (supervalorizado)
Honor de Cavalleria (belo trabalho com luz natural, mas maçante)
Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (esperava mais)
A Estrada (uma história de amor que conta a própria história da China moderna no pano de fundo)
Time (Um Kim Ki-Duk mais mórbido que o normal)
Infância Roubada (nítidas influências de Cidade de Deus, o que pode justificar o Oscar de Filme Estrangeiro)
A Scanner Darkly (Keanu Reeves rotoscopiado ainda é um Keanu Reeves, mas vale pelos bons diálogos do roteiro)
Go Etxebeste! (você já tinha assistido a alguma comédia basca?)

Nota 2
O Grito das Formigas (filosofia de botequim)
À Margem do Concreto (documentário estilo televisivo)

Nota 1
O Sussurro dos Deuses (só pelo esforço de ter reunido uma equipe de filmagem; revoltante)

 
Aloisio Milani    Diego Iwata Lima    Fábio Fujita    Fernão Ketelhuth    Fernando Masini    JP Ribeiro    Sérgio Praça    Vicente Laganaro
ABCD    EFGH    IJKL    MNOP    QRSTU    VWXYZ
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