Já começa a pintar na televisão a ladainha típica de fim de ano. As previsões econômicas, quanto cresce ou não cresce o PIB, a mãe Dinah no púlpito anunciando mortes de avião como corvo, as propagandas de Peru mais fácil e rápido de fazer, as novas e mesmas promessas de amor e ódio do ano passado, a esperança inexata de numerólogos e matemáticos de plantão, o renascimento do nosso rei morto-vivo Roberto Carlos (agora em cruzeiros luxuosos para satisfazer a elite).
É tudo do mesmo, a chatice se repete. Assim como encharcaremos o corpo de álcool e tender e desejaremos votos simpáticos de felicidade a desconhecidos. Sentiremos o tempo voando, lamentaremos as oportunidades perdidas, e prometeremos não reincidir nas mesmas heresias. É esquisito, mas tudo isso nos reabastece: a primeira ressaca de janeiro com o pernil requentado na mesa, imaginar que a convenção da "virada" tem o poder de mudar veredas. Quase nunca há mudanças, mas aceitamos pular ondas e botar vida e existência na balança.