Divas discretas
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Cotovelares
às
16h41
Ao cometer a imprudência de digitar, na mesma frase, "Scarlett" e "Alexandra Maria Lara" na caixa de comentários do tópico anterior, nosso querido editor, Fernando Masini, deu involuntariamente a idéia para esse post: as musas do cinema que, mesmo em participações discretíssimas - às vezes, em uma única cena - tornaram-se inesquecíveis. A idéia é evitar as beldades badaladas e/ou que protagonizam seus respectivos filmes, porque, caso contrário, Julia Jentsch, em Edukators, Eva Birthistle, em Apenas um Beijo, e Eva Green, em Os Sonhadores, entrariam fácil, fácil.
Meu top 5 ficou assim:
Pell James, a Sun Green, de Flores Partidas

Essa é difícil: a mocinha que faz o curativo em Bill Murray, depois deste ser acertado pelos capangas de Penny. Alguém lembra?
A. J. Cook, a Mary Lisbon, de As Virgens Suicidas

Lindas e loiras, todas as irmãs Lisbon. Mas o olhar desta... Ah, esse olhar.
Valentina Bassi, a Natacha, de Lugares Comuns

Saia com botas, sorrisos & cigarros numa morenice desconcertante.
Liliana Castro, a Irene, de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

Pelo buraquinho do provador, o paraíso veste lingerie preto.
Amy Ferguson, a Dana, de Garden State

"Spin the bottle" sob efeito de bala. Uhh...
(FF)
Fatalismos relativos
Postado por
Cotovelares
às
13h49
Então a vida começa a voltar aos trilhos. Voltam os pequenos prazeres cotidianos, que não garantem um mês de felicidade intensa, mas um par de dias, ao menos - o que, na atual conjuntura, é bastante. Essa teria sido, normalmente, a minha semana infernal do mês, porque a do fechamento. Mas então na segunda-feira fico sabendo que, na quarta, haverá exibição do novo filme do Woody Allen: Scoop. Então corro com os textos que preciso entregar até sexta-feira. Corro tanto que, na terça-feira de noite, já estou com tudo muito em dia. Daí fico pensando que, não fosse tão preguiçoso, conseguiria ser constantamente mais produtivo, mais eficiente. Essa constatação é um dos pequenos prazeres, tipo "sou capaz". E que gera o segundo, que é sair sem culpa da redação na semana do fechamento para ver a Scarlett de maiô. Então fico o dia todo pensando no filme, assimilando, curtindo as boas sensações que ele deixa, porque é uma espécie de versão não-fatalista de Match Point, o filme anterior, igualmente ótimo, mas fatalista. Com apenas 12 dias de ano novo, não estou em condições de lidar com nada que seja fatal. Tirando a Scarlett de maiô, naturalmente. (FF)

Cinema, ainda
Postado por
Cotovelares
às
15h10
Atendendo a pedidos (mentira: foi um único pedido, do Guto, e sem muita insistência), aqui estão os filmes top 10 no ano que passou, segundo eu (FF).
Dos vistos na Mostra, só coloquei os que têm estréia agendada para o circuito brasileiro. Caso contrário, entraria também o mexicano O Violino, um filmaço sobre um velho sem braço que resiste aos tempos de guerra tocando o instrumento, do título, para distrair as milícias da repressão.
E sim, Guto, Missão Impossível 3 ficou de fora mesmo:
10) Elsa e Fred
A atriz que faz Elsa é a mesma velhinha divertidíssima do também divertidíssimo Conversando com Mamãe. E em Elsa e Fred, o sonho dela é o de refazer a cena de Anita Ekberg em La Dolce Vita, transformando o ensimesmado e rabugento Fred no Mastroianni dela. Pode haver coisa mais simpática?
9) Os Infiltrados
Ok, eu confesso: forçava a barra para dizer a quem quisesse ouvir que eu havia gostado de Gangues de Nova York. E de fato gostei. Mas em se tratando de Martin Scorsese, o Sombrancelha, eu no fundo sabia que ele era capaz de coisas melhores. E ninguém melhor para falar sobre máfia do que ele. Ainda me incomoda a insistência do Sombrancelha em querer fazer do Di Caprio o que De Niro foi em tempos de Taxi Driver e Touro Indomável. Matt Damon, pra mim, é melhor que Di Caprio em Os Infiltrados. E olha que é o Matt Damon.
8) Vôo United 93
Desde o começo, você sabe qual é a história. Você sabe o que vai acontecer. Você sabe o desfecho. E ainda assim o grande Paul Greengrass consegue criar uma atmosfera de tensão do primeiro ao último minuto desse filme atordoante. Greengrass conversou com parentes das vítimas na elaboração do roteiro, e daí a verossimilhança que ele consegue nas cenas em que os passageiros ligam de celulares para as famílias - a maioria para se despedir. Um filme para se discutir o mundo em que vivemos.
7) O Céu de Suely
Você assiste ao filme, até acha bonito, mas não que vá mudar sua vida. Só que o tempo passa e as imagens desse filme de Karim Ainouz vão melhorando, vão deixando marcas. Ficam gravadas na lembrança. E a cena final, com o grandioso João Miguel voltando em sua motocicleta num longo plano-seqüência, é arrebatadora.
6) Match Point
Provavelmente curtindo uma nova paixão - claro, Scarlett Johansson - Woody Allen volta à melhor forma, depois do apenas correto Melinda e Melinda. E em Match Point ele cria uma história dostoievskiana de crime e castigo, fazendo uma espécie de atualização de seu Crimes e Pecados. Hipnótico (e com decotes da Scarlett).
Postado por
Cotovelares
às
15h10
5) Pequena Miss Sunshine Auto-crítica é fundamental. O americano Richard Linklater não poupa o personagem de Ethan Hawke em Antes do Amanhecer, frente ao sarcasmo charmosíssimo da francesa Julie Delpy. E a dupla de cineastas Jonathan Dayton e Valerie Faris, que assina Pequena Miss Sunshine, também faz crítica feroz à idéia de competitividade full time, como bem demanda o status quo ianque. É a história de uma família disfuncional que pega a estrada para levar a filha caçula ao tal concurso, do título.
4) O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
A cena em que a personagem da mãe, encarnada por Simone Spoladore, volta "das férias", claramente debilitada e sugestivamente em luto pelo marido massacrado pela repressão, encontra com o garoto e diz apenas "saudades, filho", me desmontou. De uma sensibilidade sem fim.
3) Ventos da Liberdade (estréia em 2 de fevereiro)
Dias Gomes dizia, de forma naturalmente mais elaborada do que a que vou reproduzir aqui, que não existe essa história de que acabou a divisão entre direita e esquerda. Afinal, enquanto houver ricos e pobres, sempre haverá direita e esquerda. Pois é uma visão similar da de Ken Loach, o mais engajado dos cineastas em atividade. Ventos da Liberdade, o título em português para The Wind That Shakes the Barley, é uma jornada de obstinação em busca de uma pátria livre (no caso, a Irlanda) e suas implicações. Pra mim, o melhor filme de Loach ainda é o pouco conhecido Meu Nome É Joe, mas Ventos da Liberdade vem mordendo a rabeira.
2) (nenhum)
Que é pra marcar bem a diferença entre o primeiro e o restante.
1) Babel (estréia em 19 de janeiro)
Alejandro González Iñárritu demonstra domínio pleno e total de todas as etapas da arte cinematográfica: direção de atores, roteiro, fotografia, montagem, para fazer o registro de uma época - os respingos pelo mundo da histeria coletiva americana do pós-11 de setembro. Maldito Bush. O filme ainda entrelaça outras histórias para criticar certos modos de vida um tanto barbáricos, como o das crianças no Marrocos, e a dificuldade de aceitação do diferente, no episódio japonês. Tenho dito ao meu chefe se tratar do "maior filme já feito". Imperdível.
Som & Fúria
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Cotovelares
às
10h18
Ok, 2006 judiou. Um ano que bateu sem dó. Um ano de perdas. Perdas e derrotas – que, no final das contas, são a mesma coisa. Tantas perdas e derrotas que a minha brincadeira pessoal no último dia do ano foi a de classificar as tragédias: a que mais doeu, a que era esperada, a zebra, a que sufocou. A que sangrou. Não é à toa que, sem exagero, desde o primeiro minuto do dia 1º, estou meio eufórico: demorou, mas 2006 é passado. Nóis! Mas 2006 teve uma coisa boa e é esse o motivo do post: foi um ano musical. Em se tratando de mim, que passei a vida toda ouvindo a minha parca, mas obsessiva meia-dúzia de CDs (e só MPB), ter ampliado o universo de possibilidades musicais foi decididamente marcante. Uma delícia. Tomei um verdadeiro banho de cultura musical, daqueles que lavam até a alma. Não seria exagero dizer que minha percepção de mundo, hoje, é diferente da de um ano atrás. Em nenhum outro momento da minha vida – não que eu lembre – a música havia tido uma participação afetiva tão intensa, de modo a me fazer associá-la a lugares, pessoas, circunstâncias. Épocas. Sensações. É boa demais a descoberta de que a música pode causar impactos sensoriais que, antes, eu costumava buscar nos livros e nos filmes. Adorei.
Então vamos lá: a trilha sonora de 2006! Não tem grande originalidade, mas leve em consideração o que foi redigido nas linhas acima:
1 – New Slang, The Shins
Tempos eufóricos.
2 – Such Great Heights, Iron and Wine
Téte-a-téte.
3 – Caminho das Águas, Maria Rita
Me leva que quero ver meu pai.
4 – Chasing Cars, Snow Patrol
Mundo novo.
5 – Live Forever, Oasis
As marcas na pele.
6 – Lucky Man, The Verve
Paz.
7 – As Vitrines, Chico Buarque
Mundo velho.
8 – O Vencedor, Los Hermanos
Loser!
9 – Conversa de Botas Batidas, Los Hermanos
Amor de tantas rugas.
10 – Smoke on the Water, Deep Purple
Pra radicalizar.
11 – The Scientist, Coldplay
Energizando.
12 – Yellow, Coldplay
À espera de 2007.
(FF)
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