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Labirinto
Postado por Cotovelares às 11h16

Gente do céu, quem foi que projetou a sala 2 do Cine Bombril? Eu sei que ando precisando muito rever meus valores, já que me preocupar com o desenho de uma sala de projeção é sinal de demência irreversível, mas é impossível passar impune à experiência de procurar o seu assento naquele cinema. Porque ali, quem freqüenta sabe, é uma sala numerada, ou seja: na hora de comprar o seu ingresso, o bilheteiro te mostra o monitor e pede para você escolher previamente onde vai se sentar. “Que prático!”, qualquer um poderia pensar.

 

Acontece que a sala parece ter sido projetada pelo Nhô Lau ou por alguém do tipo, não reconhecido internacionalmente pelo brilhantismo. Porque está feito e consagrado ali todo o esforço para que o espectador não ache sua poltrona de jeito nenhum. Eu me perdi lá dentro, e vale lembrar que a sala é diminuta, tipo o anexo do Espaço Unibanco. As sinalizações são absolutamente confusas. Dois medos me atormentavam em minha saga pela cadeira perdida: descobrir, com algum estupefato, que o meu assento seria o vaso sanitário do banheiro; ou ser tragado em emboscada por um buraco negro e me descobrir na mente do John Malkovich.

 

As fileiras não são alinhadas, logo, você não está em condições de se basear na poltrona A1 para se sentar na B1, simplesmente porque o espaço que seria da B1 é um vão entre poltronas (aí você descobre que, por qualquer razão, posicionaram a B1 no fundo da sala, de ponta-cabeça). E não pense que as marcações estão expostas assim, A1, B1, C1. Não. Você visualiza a letra da fileira na lateral das poltronas nas extremidades. E o número de cada assento se localiza não na parte da frente, mas na parte de trás do mesmo. Ou seja, você precisa fazer a verificação da sua poltrona em duas etapas, primeiro olhando na lateral e depois curvando-se porcamente para trás (quando você já acertou sem querer algum colega de sessão), a fim de checar se seu banco é o 7 ou o 8.

 

Baixar filmes na net, lá vamos nós. (FF)

Cinco suspiros da festa
Postado por Cotovelares às 12h16

5) Maggie Gyllenhaal

O suspiro: das mulheres (do cinema) da minha vida. Sempre que seu nome puder estar numa lista minha, estará.

 

4) Eva Green

O suspiro: a mulher mais sexy do mundo. Mesmo tentando se esconder (seria discrição?), ela brilha. Ela sobra.

 

3) Gwyneth Paltrow


O suspiro: nunca gostei de Gwyneth Paltrow, nem como atriz, nem como mulher. Mas a sugestão de transparência do vestido foi de uma sensualidade hipnótica.

 

2) Cate Blanchett

O suspiro: a mulher mais charmosa do mundo. A cada aparição, seu charme infesta o ambiente. Além de ser uma atriz muito versátil: da mulher lutando pela vida em Babel a despirocada de Vida Bandida. Mulher total.

 

1) Jessica Biel

O suspiro: revoltante. Revoltante.

 

(FF)

 

Desamparo - 1ª parte
Postado por Cotovelares às 23h28

A sessão era 16h10, eu cheguei 16h01. Dali, no início da escada do Cine Bombril, via a movimentação à minha frente. Preocupava, mas tentei ficar relaxado. Mentira, não houve esforço nenhum: num minuto, eu já estava uma pilha, só vendo a hora da mocinha da bilheteria gritar “Cabou Vênus!”. Eu não estaria preparado para aquilo. Diga que a sala acabou de pegar fogo e só metade do público vai poder assistir, mas não diga que a sessão está esgotada. Ok, a bilheteira não tem obrigação de saber que está lidando com um débil mental (eu) incapaz de encontrar razões para viver no caso de não ver Vênus ali. Acontece que eu não também não tinha culpa e, num caso assim, imaginei que as partes concordassem em abrir uma negociação. Eu definitivamente não estaria preparado para aquilo.

 

- Cabou Vênus!

 

Ainda tive a serenidade de fazer com que a situação não sobrasse para a senhorinha à minha frente, em relação ao que seria o mais glorioso Momento-Roque-Júnior de minha história pessoal, porque você é humano e tenho certeza que entende a necessidade de se dar um bico naquilo que estiver mais próximo de você. É ou não é?

 

E não pense que seria sem sofrimento:

 

-Cabou Vênus!, ela gritava, certamente feliz, a infeliz.

 

“Eu sei, sua vaca”, pensei. Ouviu-se um longo suspiro na fila. As pessoas iam saindo, algumas quietas, outras lamentando aquele momento de danação, enquanto eu seguia, intuitivamente, a caminho da bilheteria. “Dou uma cabeçada na bilheteira ou finjo que sou o Tarcísio Meira?” martelava a minha cabeça, fazendo-me ficar com o “na hora eu resolvo”.

 

Então eu já estava a um passo da bilheteria, quando outra pessoa entra na minha frente para fazer alguma pergunta estúpida. Atônito pelo excesso de informações (vida sem Vênus, nego cortando fila, um calor de sacanear, perguntas estúpidas), escorei-me ao painel da bilheteria, para ser atendido, no outro lado, pelo velho bilheteiro do Cine Bombril. Todo mundo sabe quem ele é, né? Ele mesmo, o velho bilheteiro do Cine Bombril.

Desamparo - 2ª parte
Postado por Cotovelares às 23h25

Então reacendi as esperanças de conseguir entrar na sala para ver Vênus, porque, em se tratando do velho bilheteiro do Cine Bombril, ele poderia facilmente se sensibilizar com o drama de um cinéfilo-obsessivo-compulsivo (débil mental), deixando-me entrar. E se não rolasse, tentaríamos a força. Lá fui eu.

 

Primeira estratégia: cara de cachorro pidão.

Resultado: êxito inexistente.

 

* * *

 

Segunda estratégia: engabelar.

Ilustração resumida:

 

Ele: Cabou Vên...

Eu: Já sei, já sei. Mas ó, fique tranqüilo [uso de piscadinha], que eu sento no chão e nem denuncio vocês. Uma meia, por favor.

 

Resultado: êxito inexistente.

 

* * *

 

Terceira estratégia: chantagem emocional.

Ilustração resumida:

 

Eu: Eu fico lá no fundo, de pé.

 

Resultado: êxito inexistente.

 

* * *

 

Quarta estratégia: chantagem emocional com mentira.

Ilustração resumida:

 

Eu: Eu fico lá no fundo, de pé, quieto. Eu nem respiro.

 

Resultado: êxito inexistente com olhar de nojo.

 

* * *

 

A falta de sensibilidade generalizada é uma coisa que está me incomodando. Bastava ele ter me olhado no olho para perceber que eu não era uma pessoa com maturidade suficiente para sobreviver em caso de se perder Vênus naquele cinema, naquele horário. Porque o que pega não é só perder o filme, mas a falta de interesse do sujeito em sequer se solidarizar comigo. Que ao menos tivesse feito aquela expressão clássica de levantar os ombros, do tipo “só cumpro ordens”. Mas nada. Foi um nãozão na fuça e Saia-da-Minha-Frente. Daí a única conclusão que me ocorreu é que deve ser em momentos assim que nascem os grandes gestos da humanidade. Como o chute na bola. Eu chutaria a bola do velhinho do Cine Bombril, se ele não fosse velhinho nem trabalhasse no Cine Bombril. Ah, eu chutaria.

 

Fiz um bico deste tamanho e fui rever Borat no Espaço Unibanco. (FF)

 

Pro Dia Nascer Feliz - 1ª parte
Postado por Cotovelares às 19h32

O ó de minhas peregrinações cinéfilas pela cidade aconteceu na terça-feira de Carnaval. Entrei para assistir o documentário Pro Dia Nascer Feliz, no Espaço Unibanco. Quis ver por se tratar de um documentário sobre a situação caótica do ensino brasileiro, e por ser dirigido pelo João Jardim, sujeito que já havia feito o ótimo Janela da Alma. Dias atrás eu havia trocado um scrap com uma amiga, em que eu contava uma história ouvida sobre Milton Nascimento. Ele havia entrado numa sessão para ver Jules e Jim, o clássico de Truffaut. Saiu da sala, comprou novo ingresso, e reviu o filme. Saiu da sessão, comprou um terceiro bilhete e viu mais uma vez. Lembrei disso porque saí da sessão de Pro Dia Nascer Feliz e também comprei meu segundo ingresso para vê-lo de novo, assim na seqüência mesmo.

 

Bão demais da conta. Faz uma espécie de retrato afetivo de alguns alunos de escolas ecléticas do país, como aquela localizada na pobre Manari, em Pernambuco, até o elitista Colégio Santa Cruz, em São Paulo. Incrível a capacidade de Jardim em envolver o espectador nos dramas daqueles personagens retratados. São cineperfis que ele cria, expondo de forma equilibrada as virtudes com os defeitos e as fraquezas de cada um deles. O filme termina e a vontade que fica é em conhecer aqueles estudantes todos. O efeito que o filme causa é devastador (no bom sentido), porque todo mundo, afinal, teve na escola uma etapa marcante da vida, e justamente na adolescência, que é a fase em que as coisas todas começam a acontecer: esse espanto pela iminência “do ficar adulto” (e, portanto, as responsabilidades intrínsecas disso) com a conseqüente resistência em aceitar essa transição.

 

Valéria

É a menina que abre e encerra o filme. Ela lê trechos de alguns de seus textos, e você já sabe que está diante de uma poetisa pronta. Isso aos 16 anos, vivendo nos cafundós dos judas. Ela mostra o livro que anda lendo – Poesia e Prosa Completa de Vinícius de Moraes. Daí o susto: questionada se ela ia bem nas redações da escola, a resposta é não. Não? Não. Por que? Porque os professores nunca acreditaram que era ela mesma quem escrevia suas redações. Achavam que a menina recorria a plágios de autores consagrados. Ou seja, ao invés de se criar condições para a descoberta de alunos talentosos, faz-se o contrário: nivela-se tudo por baixo. Masini, vamos trazer a Valéria pro CCC?

 

Keyla

Não tenho bem certeza se é esse mesmo o nome da moça, mas acho que é. Estudante da periferia de São Paulo, é a personagem mais fascinante, mais complexa. Fiquei pensando que tormentos não andaram acometendo essa menina, que conta no filme que tudo o que ela queria, num determinado momento, era morrer. Até que uma professora lhe disse: “Morrer não vai adiantar nada, essa tristeza vai te acompanhar para sempre porque terá sido a última coisa que você sentiu em vida”. Então não adiantava mais morrer, a menina conclui. E segue revelando que, certa vez, mostrara um texto seu para a avó, que chorou ao lê-lo. A menina não entendia de onde ela havia criado essa capacidade de, com um texto, fazer alguém chorar, porque escrever, para ela, era uma coisa tão banal. Só que ela se contradiz em seguida, ao dizer que só consegue escrever quando está triste, porque, triste, ela “decodifica melhor o que está sentindo”. A tristeza jamais é banal: é a vida em perspectiva, o questionamento das escolhas, a resistência a uma aparência de felicidade moldada pelo sistema. Hoje, encerrado o colegial, ela trabalha dobrando calças.

Pro Dia Nascer Feliz - 2ª parte
Postado por Cotovelares às 19h30

Thaís

Quando um adulto relembra os seus anos teen, geralmente o faz de um jeito em que se auto-satiriza, do tipo “naquele tempo, minha maior preocupação na vida era a prova de matemática”. E a gente não se dá conta de que, para um adolescente, uma prova de matemática podia mesmo ser o maior problema da vida e, sendo, é o equivalente ao que uma dívida impagável representa para um adulto. Ou seja: adeus sono, adeus tranqüilidade, fudeu tudo. A Thaís expõe no filme a devida dimensão dessa idéia. Com a real possibilidade de ser reprovada, ela conta ter atravessado uma longa crise existencial, no sentido filosófico mesmo, que se refletiu em notas caindo ao longo dos bimestres e faltas. Primeiro a vemos no auge da crise; então, corta-se para seis meses depois, com a ligação que ela faz para o pai, ao final das provas, para informar que passou em tudo. “Irado, né?!”, ela diz, empolgadíssima, ao pai. Irado! Você fica com a certeza de que ela penou muito, sofreu o diabo, para alguém de apenas 15 anos. Mas essa fase, ao menos, parece tê-la preparado muito bem para a vida adulta. Dá pra notar uma transformação física dela, ao longo desses seis meses: ela termina o filme mais bonita, com um olhar que passa confiança, segurança, diferente da estudante insegura de antes. Daí fiquei com a certeza de se tratar de uma garota guerreira pra caralho – esses meus maus modos são para expressar, na verdade, a minha admiração total por ela.

 

Ciça

Estudante de um colégio de elite de São Paulo. CDF, ela conta da angústia de ser rotulada como alguém que vive para estudar, o que, na leitura dela, a torna uma paria social. Então tenta, sem grande êxito, listar outras coisas de seu cotidiano: “faço ioga... faço outras coisas também”. Mas o mais interessante é o questionamento do ponto de vista feminino: diz que, naquele ano (2004), ela só havia ficado com um menino. Pôxa, ela havia tido namorados, sempre imaginou ser uma garota minimamente bonita, como que ela pôde se tornar tão pouco atraente assim, de repente? Ao fazer tal análise, ela se emociona e chora. Em princípio, você acha um absurdo ela sofrer com isso, porque trata-se na verdade de uma menina linda, com uns olhos azuis bem brilhantes e profundos, como dois faróis, vestindo-se muito feminina, com uma blusinha-verão realçando os seios e tudo. Uma graça. Mas tentando imaginar o ponto de vista dela, a insegurança faz sentido. São diversos tipos de pressão (dos pais, própria) quanto à escolha certa de carreira; o vestibular, que nunca foi nem será o método mais eficiente para selecionar os melhores, mas que um fracasso nele pode render traumas emocionais às vezes insolúveis. No olho desse furacão, ainda fica a necessidade de se afirmar como mulher, para alguém que está justamente na fase de aprender a ser mulher. Apaixonante, a Ciça.

 

Crítica

Antes que me acusem de ter sido comprado pela produção para falar bem do filme, acho que vale registrar também o que não gostei em Pro Dia Nascer Feliz. É aquele ponto em que a narrativa caminha para uma espécie de “momento Columbine”, pondo na tela o depoimento macabro de uma garota que está presa por ter matado na escola, a facadas, uma colega. Tenho certeza que o João Jardim quis fazer um documentário que metaforizasse, a partir de várias histórias pessoais, a ruína do sistema educacional brasileiro. Agora, ao mostrar uma psicopata que diz que “menor que mata não dá nada”, o filme se desvirtua do resto. Aconteceu dessa assassina ter aplicado sua visão mórbida de mundo num ambiente escolar, porque ela se meteu numa treta no momento em que era estudante. Só isso. Seu crime não diz nada sobre o caos educacional do país. Diz sobre o caos psicótico dela.

 

Anyway: João, velho, seu filme é foda! (FF)

 

Pela preservação de neurônios
Postado por Cotovelares às 12h34

Outro dia, num e-mail, li alguma coisa como “as pessoas que andam a pé pensam mais”. Eu não sei como é que se chega a uma conclusão dessas, mas confesso que fiquei pensando a respeito. Eu não sei se penso mais ou menos que quem dirige, mas certamente eu penso bastante. Nunca chego a conclusão alguma, a não ser àquelas já conhecidas, assimiladas, repensadas e que vivem me rendendo curtos insights, pequenos revivals do Grande Trauma.

 

Porque tudo, de alguma maneira, se articula em torno daquilo que você canaliza (o Grande Trauma, o Melhor Emprego, a Paixão Obsessiva), e não pense que faço do esclarecimento do GT o meu Santo Graal, nada disso. Só acho que existe toda uma conspiração cósmica, que te pilha ou que esgota suas forças energéticas, e esse trâmite de vibrações funciona, pelo bem ou pelo mal, numa dinâmica própria da Neverland que cada um criou para si. A busca existe, sim, mas por um equilíbrio dessas energias, que não te deixem intenso a ponto de perder o controle, que não te deixem drenado a ponto de desistir. Falo da teoria geral: evidentemente que eu já desisti faz tempo.

 

Mas o fato de ter desistido não anula a minha condição de bípede ambulante e, conseqüentemente, de um grande pensador. Não como o Gabriel (menos ainda como um Aristóteles ou uma Marilena Chauí), quero dizer um sujeito que impõe freqüentemente a morte de seus já desgastados neurônios por não ter carro e, portanto, andar demais e, portanto, pensar em excesso. Seria com toda a certeza um exercício terapêutico até eficiente, se o meu caso ainda tivesse solução.

 

Daí, na Doutor Arnaldo, a caminho da minha casa, digo, do Belas Artes, olho para o lado e vejo um sujeito guiando seu confortável veículo. Ele devia estar ouvindo um som muito relaxante, porque, pela expressão, ele estava completamente entregue à música, mergulhado num ambiente que, naquele momento, era só dele. Ele fechava os olhos, deixando-se mover instintivamente pelos trechos daquela canção que, certamente, lhe comoveu em algum outro momento da vida. E ia sozinho, dentro de um veículo confortável, guiando numa Doutor Arnaldo raramente paradisíaca, vazia mesmo, num final de tarde agradável de um feriado um tanto asséptico, branco, apesar de Carnaval.

 

Ele podia (pode) até pensar menos que eu, mas eu o invejei até o fim. (FF)

 

Curtas do Carnaval
Postado por Cotovelares às 23h00

Blecaute?

Eu sempre desconfiei daquela idéia de que São Paulo fica vazia no Carnaval. No fundo, achava que era uma desculpa daqueles que não tinham feito planos espetaculares para os dias de serpentina, mas por qualquer razão tinham vergonha de dizê-lo. Pois hoje entro no metrô Consolação, umas 21 da noite e, quando passo pela catraca, surpresa: nenhuma alma viva naquelas escadas rolantes! Sabe o metrô Consolação? Então, lá. Aquelas escadas rolantes que, em dias de semana, em qualquer horário, estão sempre cheias, duas fileiras de nêgo subindo em direção à Paulista, uma fileira de nêgo descendo em direção aos trens. Entro no vagão e... ninguém. Vou da Consolação até a estação Vila Madalena sem topar com nenhum colega de planeta.

 

 

Da série ‘Na fila do cinema’

Casal atrás de mim no Bristol, fila para Pecados Íntimos, no sábado. Ambos, homem e mulher, já na casa dos 45 anos. Certamente, já sabem que estão começando a esboçar a entrada na terceira idade. Não, melhor colocar de outra forma: já sabem que o tempo que falta para a terceira idade é menor do que aquele que os separa da juventude. Porque é uma idade muito perigosa, aquela em que você precisa resolver se sua(seu) mulher (marido) vai permanecer sendo sua(seu) mulher(marido), ou se vai virar seu familiar. É aquela idade em que a mulher pode começar a chamar o marido de “pai”, e vice-versa. Uma esquizofrenia nas relações – muito mais comum do que se imagina. Mas pareciam resistir. A mulher:

 

- Quer um chiclete?

 

E nosso herói responde, com impactante estupefato:

 

- Ãn? Você tem um chiclete?

 

Sim, ela tinha. E os olhos dele brilharam, como se não acreditasse. Claro que ele queria um chiclete.

 

 

Dèja vu

Sabe aquele samba-enredo clássico que diz assim:

 

“Que ti-ti-ti é esse que vem da Sapucaí?

Tá que tá danada, tá cheirando a Sapoti

Que ti-ti-ti é esse que vem da Sapucaí?

Tá que tá danada, tá cheirando a Sapoti”.

 

Então, foi o samba que a Estácio executou no Carnaval de mil novecentos e bolinha, certo? Errado. Ou pelo menos resolveram repetir nesse ano. Sim, nesse ano, 2007. É sério, eu liguei a TV e vi a Estácio passando pela Sapucaí sob:

 

“Que ti-ti-ti é esse que vem da Sapucaí?

Tá que tá danada, tá cheirando a Sapoti

Que ti-ti-ti é esse que vem da Sapucaí?

Tá que tá danada, tá cheirando a Sapoti”.

 

 

23

Alguém viu o trailer desse filme com Jim Carrey e a loira do Sideways? Que o cinema brasileiro aprenda a fazer um trailer vendedor assim. Sinto-me decididamente incapacitado de viver se não assistir esse filme dentro de, no máximo, um mês. (FF)

 

 
Aloisio Milani    Diego Iwata Lima    Fábio Fujita    Fernão Ketelhuth    Fernando Masini    JP Ribeiro    Sérgio Praça    Vicente Laganaro
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