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Sala vazia
Postado por Cotovelares às 15h54

Ingmar Bergman (1918 – 2007)

 

 

Michelangelo Antonioni (1912 – 2007)

Visita ao templo Zu Lai
Postado por Cotovelares às 02h10

 

Logo na entrada tem uma estátua de porcelana, bem colorida, do Buda Maytreia, aquele gordão sorridente que fica sentado sobre as pernas e carrega a bolsa da fortuna pendurada nas mãos. Chamam-no de “o amoroso”. Segue um caminho de concreto como uma serpente cortando o gramado cheio de flores roxas e vermelhas, até que a paisagem se encerra num lago turvo, de água verde-escura, sob uma ponte de madeira vermelha. Poucas pessoas estão ali em silêncio absoluto, umas de postura reta e mãos unidas em posição de meditação, outras namorando debaixo de árvores, curtindo o fiapo de sol no término do dia.

 

Um jovem em plena concentração usa um colar enorme, desproporcional e pesado; uma senhora de vestido comprido e camisa leve branca lê o livro do mestre Hsing Yün, sobre os fundamentos do budismo. Mais no alto, impera o pórtico imponente do templo, ornamentado com símbolos chineses e sânscritos ininteligíveis, mas muito elegantes. Dentro, o enorme pátio está vazio, rodeado por salas de portas fechadas. A escadaria à frente é milimétrica, de um equílibrio arquitetônico muito preciso. Tem um apelo espiritual intrínseco, os degraus que levam à transcendência.

 

Numa espécie de laje suntuosa, onde o clarão do dia bate estourado, um dos mestres solta gritos secos. Os alunos posicionados eqüidistantes, formando um quadrado perfeito, respondem com golpes vigorosos no ar, também seguidos por gemidos potentes. Dois aprendizes destacam-se do grupo e pegam dois baldes cheios de água até a boca. Erguem os braços na posição de Cristo, segurando-os com as mãos, cadenciam a respiração numa técnica muito particular e convincente, em seguida descem a escadaria e atravessam todo o pátio. Retornam com os braços tremendo, num sacrifício testemunhado de perto pelo mestre. A prática de kung-fu mais parece uma sessão de tortura.

 

O dia chega ao fim após uma palestra do monge budista que faz uma explanação sobre os três venenos: a raiva, a ira e a ignorância. Ele jura poder controlá-los a partir dos ensinamentos de Buda, o ser iluminado que passou 49 dias debaixo de uma árvore em estado puro de concentração até atingir o nirvana. Me perco na estranheza das palavras, como um recém-chegado ao mundo, muito impressionado pelo ambiente e fascinado ao mesmo tempo. Arrisco uma sessão de meditação instantânea, sugerida pelo monge. Uno os polegares e deixo o corpo relaxado, busco respostas tateando na escuridão do momento. (Masini)

 

O templo Zu Lai fica a 25 km de São Paulo, no município de Cotia: http://www.budanet.org.br.      

 
Aloisio Milani    Diego Iwata Lima    Fábio Fujita    Fernão Ketelhuth    Fernando Masini    JP Ribeiro    Sérgio Praça    Vicente Laganaro
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